Já alguma vez pensou em fazer um jejum prolongado? Vou partilhar um pouco da minha experiência.

Este é um assunto que me é muito caro e desde 2017 que o faço entre 1-2 vezes por ano como forma de limpeza/purga do organismo. Faço-o por várias razões, sem ordem de prioridade: desintoxicação geral do corpo através do processo de autofagia, método natural de prevenção de doenças degenerativas, preservação de bom funcionamento cerebral, reset metabólico e hormonal, redução da inflamação, perda de gordura corporal (cutânea e visceral), contemplação do real valor de uma boa alimentação, e disponibilização de tempo extra no dia. Os benefícios são reais, são importantes e diria mesmo necessários para atletas como nós, com uma vida e dieta muito exigentes para o corpo.

A duração típica dos meus jejuns de limpeza é entre 7-10 dias, que é uma gama conservadora e que permite uma limpeza de grande parte dos orgãos. Efectivamente uns precisam de mais tempo de drenagem do que outros.

Um mito que representa o receio típico de malta do ginásio é: então assim vou perder a massa muscular toda! Errado. Efetivamente há uma redução geral do volume do corpo, mas a sua maioria é gordura e retenção de líquidos. A contribuição de músculo vs gordura para sustento do jejum também consegue ser otimizada consoante o tipo de dieta a que a pessoa vai habituando o corpo. Alguém que faz algo mais parecido com dieta ketogênica terá mais facilidade e eficiência na queima de gordura do que alguém que depende fortemente de hidratos de carbono como fonte energética.

Para promover a autofagia é essencial reduzir o consumo calórico diário a praticamente zero. O sustento do jejum vem das nossas reservas acumuladas, sendo que o corpo vai primeiro às toxinas e à gordura e subtilmente ao glicogéneo. É recomendado manter uma vida ativa assim como os treinos, porem será recomendado não ir tão longe na exaustão para manter o corpo funcional nos dias seguintes.

A ingestão de chá, café e eléctrolitos são bem vindos no jejum e ajudam imenso a manter a energia, o foco e a serenidade.

O ponto crítico e mais difícil é mesmo a quebra do jejum, que irei deixar para outro post.

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